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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Sebo ou não Sebo, eis a questão...

Na última semana, algumas ocorrencias envolvendo sebos me chamaram a atenção. Nestes casos o aspecto mais importante é o que de fato é um sebo.

Sebo é loja que comercializa livros usados, livros que já foram lidos, folheados. Portanto embora o leitor não tenha o gostinho de desfrutar do prazer daquelas paginas pela primeira vez, poderá pagar um preço bem mais atraente e se envolver com a aura que somente um livro que já foi degustado possui. À quem será que pertenceu este livro? Será que gostou? Por que o vendeu? Nestas lojas podem ser encontradas raridades, títulos fora de catálogo há muito tempo, verdadeiras jóias e preciosidades, que fazem do sebo um mercado complementar ao das livrarias.

Nos últimos anos, com o advento das vendas de encalhes das editoras, surgiram muitas lojas vendendo livros novos, que nunca foram lidos (em muitos casos não ter sido livro é uma particularidade de todos os exemplares da edição) que praticamente só trabalham com livros nestas características, que ostentam na porta a placa de sebo, mas são na verdade lojas de descontos, ou como o próprio mercado diz, lojas de saldos. Portanto um mercado concorrente ao das livrarias. Já é comum ouvir leitores dizendo que vão esperar o livro ir para saldo para comprar.

Acho que diferenciar os dois varejos é fundamental, não só para o leitor, que busca coisas distintas num lugar e no outro, mas também para o mercado, para entender melhor o que está acontecendo.

Eu vejo o mercado de saldos como um problema, ou talvez como uma solução ruim para um outro problema maior, que é o da editora que publica sem pesquisar, sem praticar uma política de preços apropriada no seu lançamento e por isso não consegue vender o suficiente deste título e muitas vezes apenas um ano depois de ter lançado o livro no mercado, se desfaz do estoque, vendendo o livro parado por centavos, enquanto a maior parte das livrarias ainda o está vendendo pelo preço de capa.

Eu acredito que o leitor que compra 2 livros de 400 páginas por R$ 9,90 vai ocupar todo o seu tempo livre destinado à leitura com estes livros, não sobrando tempo para ler livros a preços de capa, ou seja, estamos perdendo mercado, não criamos um novo. Esta é uma discussão muito maior do que para um post só, vou procurar me aprofundar mais, mas conto com seus comentários.

7 comentários:

João Guedes disse...

Não necessariamente.
O cliente de sebo ou saldos não passa sequer na porta da livraria pois não tem o poder aquisitivo para isso ou não gosta mesmo de livro novo.
Em geral este cliente procura preço e conteúdo e pouco se importa com o estado geral do livro.
O cliente de livraria também se preocupa com o preço, mas tem interesse em ter um livro novo e é ávido por novidade, e neste caso a preocupação maior é a qualidade do conteúdo.
Na verdade os 2 mercados são complementares não se excluindo mutuamente.

ROSSANO BIAVA disse...

EU ATUO NA AREA DA SAUDE E È UM GRANDE PROBLEMA LIDAR COM OS "SAUDOS" POIS TEM LIVROS TRADICIONAIS NO MERCADO QUE EM MENOS DE UM ANO O VALOR CAIU MAIS DA METADE DO PREÇO DE CAPA E FICA O VENDEDOR COMO O GRANDE VILAO DA HISTORIA QUE VENDEU POR UM PREÇO E DEPOIS O CLIENTE VIU PELA METADE OU MENOS AINDA< FICA INJUSTO PRA TODOS PRA QUEM ADQUIRIU E PRA QUEM VENDEU TAMBEM< EU PARTICULARMENTE ACHO O MERCADO DE SAUDOS PREJUDICIAL AS LIVRARIAS>>>

Jaime Mendes disse...

Caro Gerson,

não vejo problemas para o mercado do livro no fato de existirem lojas vendendo encalhe a 9,90. Livros baratos e com muitas páginas também existem em várias coleções de bolso publicadas pela Cia das Letras, LPM, Record etc, etc e que estão à venda em todas as livrarias, sejam elas megas, grandes ou pequenas. O que atrapalha o mercado são determinadas promoções de títulos de alto giro, que fazem parte de listas de mais vendidos, sendo vendidos a 9,90 em um ou dois pontos de venda.
Ainda com relação aos saldos acho até que eles ajudarão o mercado do livro ao trazer mais pessoas para o hábito da leitura e, portanto, futuros consumidores assíduos de livrarias.

Gerson Ramos disse...

Pois é o assunto é polêmico e precisar ser discutido mesmo, por isso vai ser materia de capa da proxima Revista Superpedido. Vamos ver o que teremos por lá...

Alvaro Torres disse...

Discordo que quem consome livros de sebo, não é o mesmo público de livraria. Como militamos em um mercado com um público tão restrito (o número de leitores no Brasil é proprocionalmente muito pequeno), é óbvio que o cliente que freqüenta o sebo também visita livrarias, mas termina gastando menos na livraria pois fica sempre esperando encontrar algo que o interessa no sebo e pagar menos. Até aí tudo bem, mas o maior problema dos sebos está ligado a um outro fator que não vejo ninguém comentar. O Sebo hoje em dia é o grande RECEPTADOR de livros furtados nas livrarias, fazendo com que esta prática aumente enormemente, pois como sabemos, se existe alguém que compra o produto de furto (o sebo neste caso), na verdade o furto de livros torna-se uma alternativa econômica importante, deixando de ser uma atividade "romântica" para os "amantes" de livros, como antigamente era encarado. Não quero generalizar para todos os sebos, mas aqui em nossa cidade isto é um fato irrefutável, pois já observamos verdadeiras gangues atuando nisto. Acho que os sebos que permitem isto (não digo que sejam todos), são criminosos disfarçados de comerciantes, e as editoras que passaram a consignar materiais para estas lojas ajudam eles a poderem "esquentar" o fruto do crime. ESTE É O PROBLEMA dos sebos pelo menos aqui em nossa cidade, gostaria de saber se outros observam este mesmo problema.

Gerson Ramos disse...

Respondo para o amigo Alvaro, de fato precisamos entender quem é o consuidor de sebos e quem é o consumidor de livririas convencionais, mas é facil aceitar que a intersecção entre um publico e outro deve ser bem grande, sugiro a leitura da Revista Superpepedido de Janeiro, que esta tratando do assunto de forma bem investigativa. Obrigado pela participação.

Beco dos Poetas & Escritores disse...

permita-me um convite visite nossa rede literaria em www.literaturperiferica.ning.com um cantinho que encontrara muitos amigos que compartilharam de suas idéias !!!

Marcio