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domingo, 25 de abril de 2010

Destruir para construir


Nas últimas semanas a forma encontrada para se realizar a devolução de um grande consignação pela editora Ediouro e controlada pela Superpedido, causou comoção. Isto tudo porque parte do processo envolvia que as lojas somente devolvem a capa e a quarta de capa, além da página com a ficha catalográfica. O restante do livro poderia ser enviado para reciclagem. E para esta operação a editora oferecia um desconto mais que especial para que as lojas ficassem com a maior quantidade possível.

Do lado da editora, reduzir os custos operacionais, permitiria que ela investisse em novos títulos, novos autores. Do lado do cliente, com um desconto mais vantajoso, permitiria que a loja lucrasse mais com obras com potencial de venda. Os títulos que já não tem potencial de venda, que mesmo com um desconto maior não interessa mais ao lojista, também não interessa mais ao mercado, portanto as despesas com sua devolução física seriam apenas isso, despesas, pois dificilmente o livro poderia voltar ao mercado, se não pela baixa chance de venda, mas também pelo possível estado de conservação, pois por cuidadosa que uma livraria seja, livros que ficaram 2, 3 e as vezes 4 anos em exposição, não podem ser vendidos como novos, portanto seu destino seria um só, reciclagem.

Esta prática é amplamente utilizada no exterior, principamente quando grandes distâncias a serem percorridas pelos livros devolvidos. Mas aqui no Brasil ninguém ainda havia tentado aplicar lógica comercial ao comercio dos livros.

Aliás, a proposta foi feita por mim mesmo. Sou o maior defensor do livro como instrumento de transformação do ser humano, mas sou também um árduo defensor da modernização do nosso mercado, antes que a realidade dos custos absurdos de uma cadeia engessada, inviabilize o desenvolvimento de nossas empresas.

Muita gente ficou muito assustada com esta operação, diria até mesmo indignada. Num primeiro momento pode parecer cruel com este objeto amado. Mas é preciso que todos tenhamos claro que o destino de livros em mau estado não pode ser gerar mais custos para todos. Com quem conversei pessoalmente, pareceu entender a lógica, mas no fim a editora fez uma proposta ainda mais atraente para os livreiros para que ficassem o maior volume possível das obras para que a devolução não precisasse ser feita e assim se resolveu a quase polêmica.

E ai, o que você acha de simplificar o processo de devolução para que todos façam economia?

2 comentários:

Vania Lacerda disse...

Olá, Gerson.
Realmente, é preciso encarar o fato de que o negócio do livro é um negócio. Apaixonante, claro, mas é um negócio. Sua uma idéia ousada, mas corretíssima.
E eu fico aqui pensando: a consignação de fato tem muitos problemas. Algumas editoras parecem ter como unica estratégia de vendas colocar seus livros nas livrarias, na maior quantidade possível. E estranham muito quando a livraria não aceita... Quando se recebe um livro, mesmo consignado, é preciso pensar na real possibilidade de venda, comparada ao custo de manuseio, guarda, exposição, devolução.
E só pra constar: por mais trabalho que dê, um livreiro não pode ficar com titulos sem venda por 2,3, até 4 anos em suas prateleiras, ocupando um espaço precioso, dificultando a exposição dos livros que vendem.

Fabio_Atlas disse...

Caro Gerson,

Gostei do texto. Resumo com uma frase: "A necessidade é o algoz da razão"

Um Abração.

Fabinho